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Cães farejadores são certificados para atuar em buscas e salvamentos no Estado

Essa é a primeira vez que Santa Maria é palco das provas que avalia os binômios, nomenclatura dada a uma equipe formada entre cão e bombeiro

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Foto: Foto: Thays Ceretta (Diário)

Foto: Thays Ceretta (Diário)
As duplas de bombeiro e cão Estefânio Guinazu Bernardes e Molly (na esq.) e Vagner Charão Lago com o Logan participaram da certificação em busca de vítimas mortas em estrutura colapsada na empresa Ecosanta

Santa Maria foi palco, na semana que passou, da certificação dos binômios - nome dado à equipe formada entre bombeiro e cão - do Corpo de Bombeiros do Estado (CBMRS). Essa foi a primeira vez que a certificação da Câmara Técnica de Cinofilia do CBMRS foi sediada na cidade. Os 21 animais inscritos nas provas, sendo sete de Santa Maria, são treinados para atuar em operações de busca, salvamento e resgate em enchentes, estruturas colapsadas e em condições climáticas adversas.

Labrador, pastor alemão, boiadeiro australiano, pastor belga malinois, border collie, bloodhound, labrador retriever e pastor holandês. Essas foram as raças dos cães que vieram a Santa Maria de várias partes do Estado. Muitas dessas duplas entre cão e bombeiro já participaram de ocorrências importantes.


A dupla Vagner Charão Lago com o cachorro Logan, de Itaqui, já dura mais de cinco anos. Eles atuaram no resgate de vítimas no rompimento da barragem na cidade de Brumadinho (MG), em 2019. Com a certificação de Logan, a dupla poderá atuar na Fronteira Oeste.

Já o soldado Estefânio Guinazu Bernardes e cadela Molly, de Santa Maria, participaram, recentemente, nas buscas por dois bombeiros desaparecidos nos escombros do prédio da Secretaria da Segurança Pública em Porto Alegre.. 

O olfato de um cão é 15 vezes mais apurado do que o dos humanos, o que colabora, ainda mais, no trabalho da dupla de forma mais precisa e ágil. De acordo com o bombeiro Juliano Soares Sodré, que trabalha com o cão Odin há mais de seis anos, o cachorro é muito mais que uma ferramenta, ele é um colega de trabalho. 

- Um cão em uma área de mata faz o serviço de 20 homens. O trabalho que levaria uma hora, com o cão, as vezes, leva cinco minutos. Um cão de busca leva cerca de um ano para ficar pronto, depois ele acaba nos servindo de grande valia para localizarmos as vítimas desaparecidas e dar alento às famílias - conta o bombeiro, que trabalha na Companhia Especial de Busca e Salvamento (CEBS). 

Foto: Laíz Lacerda (Bei)
Juliano e o cão Odin vieram de Porto Alegre e passaram na certificação

A CERTIFICAÇÃO
As provas de obediência e de busca ocorrem em matas e cidades, para localizar vítimas tanto vivas quanto mortas. Para a certificação, é simulada uma ocorrência em uma área delimitada, com número de vítimas definido e o tempo cronometrado. No exercício para localizar vítimas vivas, é utilizado um figurante. Já para restos mortais, um composto orgânico volátil é inserido em um manequim.

A avaliação considera, não apenas a pontuação por localizar a vítima, mas também a estratégia de busca, o trabalho do binômio, a qualidade com que o cão se apresenta, a capacidade física dele e a sinalização com latido quando localizar a vítima.

Apesar de toda a tecnologia já desenvolvida, os cães trazem grandes benefícios nas buscas, principalmente em estruturas colapsadas. Os cães, quando bem treinados, podem localizar também a presença do odor humano entre os escombros, enquanto a maioria dos equipamentos é baseada na ampliação de gemidos e pequenos sussurros das vítimas soterradas. 

Foto: Laíz Lacerda (Bei)
Além de todo o trabalho em conjunto que inclui obediência e respeito, o amor também um dos gestos que existe entre a dupla cão e bombeiro. Na foto acima, o bombeiro Alício Stall e o cão Lugh, que atuam juntos há três anos. 

Na prova de obediência, o bombeiro precisa mostrar domínio sobre o cão mediante os comandos. Além de passar pelo circuito de obstáculos, o cão também precisa acatar os comandos como: "junto", "fica", "aqui" e "senta". Além de atender aos comandos utilizados em uma busca, o cão deve realizar uma série de deslocamentos.

- A certificação é feita periodicamente para que as duplas possam trabalhar dentro e fora do Estado. As provas são feitas pela Comissão Estadual de Cães. Para avaliar os cães, é montada uma banca, onde há três jurados para cada prova, que vai determinar se o cão está apto para efetuar o serviço - explica o bombeiro militar Jair Silveira, que era um dos avaliadores da prova de estrutura colapsada. 

Em Santa Maria, as certificações aconteceram na Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), na empresa Ecosanta Gestão Integrada de Resíduos e no Instituto São José. 

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