O que é um ciclone bomba? Meteorologista explica fenômeno e por que preocupação no RS é com ventos de até 100 km/h

O que é um ciclone bomba? Meteorologista explica fenômeno e por que preocupação no RS é com ventos de até 100 km/h

Foto: Rian Lacerda (Diário)

A formação de um chamado "ciclone bomba" sobre o Uruguai nesta quinta-feira (6) colocou o Rio Grande do Sul em alerta para a ocorrência de temporais. Apesar do nome chamar atenção, o sistema não será o principal responsável pelos impactos no Estado

Segundo o meteorologista do Centro de Monitoramento da Defesa Civil Estadual, Bruno Zanetti Ribeiro, a maior preocupação é a frente fria associada ao ciclone, que deve provocar temporais com rajadas de vento que podem superar os 100 km/h, inclusive na Região Central.

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Em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade, da Rádio CDN 93.5 FM, o especialista explicou que a frente fria avança pelo Estado ao longo desta quinta-feira e deve chegar à região de Santa Maria entre o fim da tarde e o início da noite.

– O ciclone vai se formar sobre o Uruguai e terá uma influência um pouco mais direta no extremo sul do Rio Grande do Sul. O principal fator associado a ele é essa frente fria, que avança pelo Estado ao longo do dia e estará associada a temporais que podem ser muito severos – afirmou.


O que é um "ciclone bomba"?

Apesar da repercussão da expressão, "ciclone bomba" não é um tipo diferente de ciclone, mas uma classificação utilizada quando um ciclone extratropical se intensifica muito rapidamente.

Ribeiro explica que o nome faz referência à queda acelerada da pressão atmosférica no centro do sistema.

– O ciclone é um sistema de baixa pressão. Quando ele se intensifica muito rápido, recebe essa denominação. Neste caso, como ele ficará um pouco longe do Rio Grande do Sul, não terá uma influência direta – explicou.

Segundo o meteorologista, o principal risco para o Rio Grande do Sul não está relacionado ao volume de chuva, mas à intensidade das rajadas de vento. 

A previsão indica que os ventos podem ultrapassar os 100 km/h em alguns pontos do Estado, especialmente entre a região de fronteira com o Uruguai e a Região Central.

– São ventos capazes de provocar destelhamentos, queda de árvores e interrupções no fornecimento de energia. Essa é a principal preocupação neste evento – alertou. 


Há risco de novos tornados?

Depois do tornado registrado em Giruá durante a passagem da última frente fria, a possibilidade de novos episódios voltou a gerar preocupação entre os gaúchos

Segundo o meteorologista, as condições atmosféricas desta quinta-feira também são favoráveis à formação de tornados, embora em um cenário menos propício do que o da semana passada.

É possível que aconteça algum tornado isolado em alguma parte do Estado, porque a situação é favorável. Não é tão favorável quanto na semana passada, quando tivemos aquele tornado mais intenso, mas essa possibilidade existe – disse.

Ele ressalta, porém, que os tornados costumam atingir áreas muito pequenas e durar poucos minutos.

– Os ventos de um tornado normalmente são muito mais intensos do que 100 km/h, mas são extremamente localizados. A preocupação maior é realmente com os ventos associados às tempestades, que afetam uma área muito maior – reiterou.


Tornados não são fenômenos recentes

Ribeiro também destaca que, embora os registros tenham ganhado maior visibilidade nos últimos anos com a ascensão da tecnologia, os tornados sempre fizeram parte da climatologia do Rio Grande do Sul.

Conforme estudos citados pelo meteorologista, as regiões Norte e Noroeste do Estado concentram a maior frequência desses fenômenos, formando uma faixa que se estende pelo Oeste de Santa Catarina e Sul do Paraná. A Região Central também registra ocorrências.

– Os tornados sempre aconteceram no Rio Grande do Sul. Hoje eles parecem mais frequentes porque praticamente todas as pessoas têm celulares com câmera e conseguem registrar esses fenômenos – destacou.

Conforme o especialista, a Defesa Civil trabalha para aprimorar o monitoramento meteorológico do Estado com investimento em três novos equipamentos que devem ser implantados até 2027.


Depois da frente fria, tempo firme

Após a passagem da frente fria, a tendência é de queda nas temperaturas e retorno do tempo estável.

– As tempestades severas do dia de hoje vão ser o principal evento que nós temos no horizonte aí nos próximos 10 dias – revelou.

Segundo Bruno Zanetti Ribeiro, entre sexta-feira (7) e pelo menos terça-feira da próxima semana o Rio Grande do Sul deverá ter predomínio de tempo firme. A chuva deve voltar apenas na segunda metade da próxima semana e, por enquanto, sem indicativos de um novo episódio de tempo severo

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