Fotos: TRE-RS (Reprodução)
Evento marcou o início da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação e buscou esclarecer dúvidas da população sobre o equipamento utilizado nas eleições brasileiras;
A Justiça Eleitoral deu início, nesta segunda-feira (3), à Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação com uma iniciativa inédita: abrir uma urna eletrônica e apresentar, em detalhes, como funciona o equipamento utilizado nas eleições brasileiras. A atividade, promovida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) e transmitida pela internet, teve como objetivo ampliar a transparência do processo eleitoral, explicar os mecanismos de segurança da urna e combater o que a Justiça Eleitoral considera "desinformação sobre o sistema de votação".
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Durante a abertura do evento, o público acompanhou uma retrospectiva sobre a evolução das eleições no Brasil. Antes da implantação da urna eletrônica, o país utilizava cédulas de papel depositadas em urnas de lona. A apuração era feita manualmente, dependia da interpretação de cada voto e, em muitos municípios, os resultados demoravam dias para serem conhecidos.
Além da lentidão, o modelo também estava sujeito a diferentes tipos de fraude, como inserção de cédulas nas urnas e manipulações durante a contagem e totalização dos votos. A busca por um sistema mais seguro começou ainda em 1932, quando surgiu a ideia de uma máquina de votar. No entanto, o projeto que deu origem à atual urna eletrônica começou a ser desenvolvido somente em 1995, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O Rio Grande do Sul teve papel importante nesse processo. Em agosto de 1996, Caxias do Sul recebeu o simulado considerado decisivo para validar o novo equipamento antes da estreia oficial nas eleições municipais daquele ano. O resultado da experiência abriu caminho para que, nas eleições municipais de 2000, a votação eletrônica passasse a ser utilizada em todos os municípios brasileiros.
Desde então, o sistema passou por constantes aperfeiçoamentos tecnológicos. Antes do início da votação, cada urna imprime a chamada zerésima, documento que comprova que nenhum voto está registrado no equipamento. Ao final da eleição, a própria urna realiza a apuração da seção eleitoral e emite o boletim de urna, documento que registra o resultado daquela seção e pode ser conferido por candidatos, partidos, fiscais e cidadãos.
Outro mecanismo apresentado no evento foi o teste de integridade das urnas eletrônicas, auditoria pública realizada no dia da votação para demonstrar que cada voto digitado é registrado exatamente da mesma forma pelo equipamento. Desde 2022, esse procedimento também passou a contar com a modalidade realizada por meio da biometria dos eleitores.
Segundo o TRE-RS, ao longo de três décadas a urna eletrônica reduziu significativamente as possibilidades de fraude, eliminou a apuração manual, acelerou a divulgação dos resultados, ampliou os mecanismos de auditoria e tornou o processo eleitoral mais acessível para milhões de brasileiros, incluindo pessoas analfabetas e eleitores com deficiência.
Combate à desinformação
Na abertura da atividade, o titular da Secretaria de Tecnologia da Informação do TRE-RS, Daniel Wobeto, afirmou que a falta de conhecimento sobre o funcionamento da urna eletrônica favorece a disseminação de informações falsas sobre o processo eleitoral. Segundo ele, muitas afirmações compartilhadas nas redes sociais e em outros meios de comunicação não encontram respaldo técnico, mas acabam sendo aceitas justamente porque parte da população desconhece como funciona o sistema.
– É por isso que nós estamos aqui, para mostrar como o mínimo de um sistema funciona, um sistema que se vale de recursos avançados de criptografia e técnicas de segurança da informação para garantir a sua segurança. Todos esses recursos podem ser verificados por qualquer cidadão – disse.
Conforme Wobeto, a proposta da programação foi transformar conceitos considerados complexos em explicações acessíveis, permitindo que qualquer eleitor compreendesse como funcionam os mecanismos de proteção do equipamento.
Outro destaque da apresentação foi a demonstração do boletim de urna, documento emitido ao fim da votação em cada seção eleitoral. Segundo o secretário, esse mecanismo garante que os resultados de cada urna sejam transmitidos de forma íntegra para totalização pelo Tribunal Superior Eleitoral.
– Nós garantimos que o dado de cada urna chega íntegro ao TSE, onde é processado, e que não há como ser gerado um resultado diferente daquele que seja a mera soma dos resultados das urnas – afirmou.
A Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação segue até o próximo domingo (9) com atividades promovidas pelos Tribunais Regionais Eleitorais em todo o país. A programação inclui demonstrações sobre o funcionamento da urna eletrônica, ações educativas, votações simuladas e iniciativas voltadas ao esclarecimento da população sobre o sistema eleitoral brasileiro.
Abertura da urna
Logo depois, uma urna eletrônica foi desmontada diante do público para que técnicos explicassem a função de cada componente interno do equipamento. Paralelamente, outra urna permaneceu em funcionamento para demonstrar, na prática, algumas etapas do processo de votação.
O processo foi feito pelos servidores do TRE-RS Wanderlei Alves Ribeiro dos Santos, assistente da Seção de Administração de Urnas e Voto Informatizado, e Luís Fernando Schauren, assessor de Orientação Tecnológica. A demonstração permitiu que os participantes conhecessem a estrutura interna do equipamento e entendessem como funcionam os mecanismos físicos e digitais responsáveis por garantir a segurança do sistema eletrônico de votação.
Antes da apresentação dos componentes internos, os técnicos explicaram que a confiabilidade da urna não está restrita à sua estrutura física, mas ao conjunto de mecanismos tecnológicos e procedimentos adotados pela Justiça Eleitoral durante todas as etapas do processo eleitoral.
Durante a demonstração, foram apresentados a placa-mãe da urna, os certificados digitais utilizados para autenticar o sistema, a memória de votação, a memória de resultados, a bateria e a impressora responsável pela emissão da zerésima e do Boletim de Urna, emitido ao final da votação com o resultado da seção eleitoral. Os servidores também explicaram o funcionamento dos lacres utilizados na preparação do equipamento e reforçaram que a urna eletrônica não possui conexão com internet, Wi-Fi ou Bluetooth. Conforme a demonstração, apenas softwares assinados digitalmente pela Justiça Eleitoral podem ser executados no equipamento, impedindo a instalação de programas não autorizados.
Confira a transmissão completa
Programação segue durante a semana
Na quarta-feira (5), ocorre a exposição “Caminhos do Voto”, no Memorial Teori Albino Zavascki, em Porto Alegre, para estudantes das redes pública e privada. A atividade abrangerá as fases do processo eleitoral e as camadas de proteção do sistema eletrônico de votação.
Na quinta-feira (6), o Tribunal publicará nas redes sociais conteúdos sobre a segurança da urna e o enfrentamento à desinformação. Já na sexta-feira (7), cartórios eleitorais de diversas regiões do Estado visitarão instituições de ensino para demonstrar o funcionamento do equipamento de votação, os recursos de acessibilidade e as formas de verificação dos resultados. Acompanhe aqui.
Como funciona o processo de votação na urna eletrônica
- Urna zerada: Antes da abertura da votação, é impressa a zerésima, documento que comprova que a urna não possui nenhum voto registrado.
- Identificação do eleitor: O eleitor é identificado por meio da biometria e da fotografia, impedindo que outra pessoa vote em seu lugar ou que haja votação em duplicidade.
- Sigilo do voto: Após a identificação, o eleitor vota em cabine reservada. A urna registra apenas que a pessoa votou, sem relacionar sua identidade aos candidatos escolhidos.
- Registro e confirmação: Ao pressionar a tecla "Confirma", os votos são criptografados pelo Registro Digital do Voto (RDV), impedindo que seja identificada a ordem dos votos ou associada a escolha ao eleitor.
- Boletim de Urna: Ao fim da votação, a urna emite automaticamente o Boletim de Urna (BU), documento com o resultado daquela seção eleitoral, protegido por assinatura digital e criptografia.
- Transmissão dos resultados: Os dados são gravados em uma mídia de resultado e enviados ao TSE por uma rede exclusiva da Justiça Eleitoral, isolada da internet. Antes da totalização, o sistema verifica a autenticidade da assinatura digital da urna, garantindo a integridade das informações.