Foto: Vinicius Becker (Diário)
A intensificação do supertufão Sinlaku no Pacífico Oeste, impulsionada por águas excepcionalmente quentes, acende um sinal de alerta para mudanças mais amplas no clima global. Embora o fenômeno não tenha influência direta sobre o Brasil, ele ocorre em uma região-chave para a formação do El Niño e, por isso, é visto como um indicativo importante do que pode ocorrer nos próximos meses, inclusive no Rio Grande do Sul.
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De acordo com o meteorologista Daniel Caetano, a força do tufão está diretamente relacionada ao calor acumulado no oceano. Esse excesso de energia favorece a rápida intensificação de ciclones tropicais, como foi o caso de Sinlaku.
– A ocorrência desse tufão acaba sendo um indicativo de que a região onde ele está se formando está bem quente, pelo fato de ele estar muito intenso sobre essas regiões – explica. Ele reforça que o sistema não provoca o aquecimento, mas funciona como um “termômetro” natural das condições do mar.
Esse cenário de águas mais quentes no Pacífico faz parte de um processo maior de reorganização climática, típico da transição para o El Niño. Na prática, o calor que hoje está concentrado no Oeste do oceano tende a se deslocar em direção à faixa equatorial central e leste, alterando a circulação da atmosfera em escala global. É esse movimento que desencadeia os efeitos conhecidos do fenômeno em diferentes partes do planeta.
Segundo Caetano, os modelos climáticos já indicam a possibilidade de formação do El Niño no segundo semestre deste ano, mas ainda há incertezas sobre a intensidade. Apesar disso, o meteorologista pondera que não há, até agora, sinais de que o cenário será semelhante ao registrado há dois anos, quando o fenômeno teve impactos mais extremos.
– Não há uma concordância com relação à intensidade do El Niño, mas ele pode se encaminhar para um evento intenso – afirma.
Caso se confirme, a tendência é de que os efeitos mais relevantes sejam sentidos a partir da primavera. No Sul do Brasil, isso normalmente significa aumento no volume de chuvas, maior frequência de temporais e risco elevado de cheias de rios e enchentes. Já em outras regiões do país, como o Centro-Oeste e o Sudeste, o padrão pode favorecer períodos de calor mais intenso e prolongado.
Na prática, o supertufão não representa uma ameaça direta, mas ajuda a contar uma história maior: a de um oceano mais quente e de um sistema climático em transição. E é justamente essa mudança que pode definir o comportamento do tempo no Brasil nos próximos meses.