Foto: Reprodução
O que fazer quando a casa onde você vive desaparece em poucos minutos, levando junto móveis, roupas, documentos e todas as lembranças construídas ao longo de décadas? Foi essa a realidade que o aposentado Dilmar Unfer, 73 anos, e da dona de casa Rosane Beatriz Unfer, 70, precisaram enfrentar na madrugada do dia 7 de julho, quando um incêndio destruiu completamente a residência onde o casal morava havia 47 anos, na Rua Tiradentes, no centro de Agudo. Em questão de meia hora, o fogo consumiu tudo o que eles tinham, e os dois só conseguiram escapar com a roupa do corpo, sem tempo sequer de calçar um sapato.
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Móveis, eletrodomésticos, roupas, documentos pessoais: nada resistiu às chamas. Diante da perda total, familiares e amigos estão mobilizados em uma campanha de solidariedade para ajudar o casal a recomeçar a vida praticamente do zero. Quem puder contribuir pode fazer uma doação de qualquer valor, via Pix.
Caminhoneiro aposentado, Unfer lembra com clareza os instantes que, diante dos olhos, tudo se perdeu. Ele conta que o casal já havia se deitado havia pouco mais de uma hora quando acordou com sons de vidros quebrando na residência.
- A gente estava em casa dormindo. Fazia uma hora e pouco que a gente tinha deitado. E em torno de meia-noite e meia, eu escutei uns estouros na cozinha. Eram os vidros quebrando por causa do fogo - relata.
Ao abrir a porta do quarto, ele já deparou com o clarão e as chamas tomando conta da casa. Não houve tempo para pensar, apenas para agir.
- Quando abri a porta do quarto, já vi o clarão e o fogo, e aí só gritei para minha esposa: "Vamos fugir, que é fogo!". Nesse momento, nossa vida importava mais do que tudo - conta.
Para sair, os dois precisaram passar praticamente pelo meio das chamas. O morador lembra que o forro de PVC da casa liberava uma fumaça tóxica, o que tornou a fuga ainda mais perigosa.
- Enquanto eu abria a porta para sair, já estava me faltando fôlego em razão do forro de PVC. Isso é muito tóxico. Mas, graças a Deus, conseguimos sair, eu e a minha esposa - conta, aliviado.

Na correria, e pensando em sobreviver, não sobrou tempo para pegar absolutamente nada dentro de casa. Nem celular, óculos ou as chaves do carro.
- Saímos de casa apenas com o pijama e pé no chão. E foi um desespero quando pensamos no carro na garagem. Estava sem chave e o carro é automático, ele trava as rodas. Não tinha nem como voltar para dentro de casa e buscar - conta o morador.
Vizinhos e amigos se mobilizaram para tentar salvar pelo menos o veículo, que ficou preso na garagem por causa do sistema automático de travamento das rodas. Cerca de 20 pessoas se revezaram tentando puxar o carro com uma corda, sem sucesso, até que uma caminhonete com engate de reboque conseguiu, por fim, retirá-lo antes de fogo atingir a garagem.
Em meia hora, restou muito pouco do que foi a casa da família por quase cinco décadas. Dilmar faz questão de contar a história do imóvel, comprado em 1979 e reformado por completo há cerca de 15 anos. A residência era uma construção mista, parte em alvenaria, parte em madeira, com parede dupla e instalação elétrica revisada.
- Desde que comprei a casa, em 1979, se passaram 47 anos. Era nosso cantinho, nosso lar. E hoje eu olho e vejo que perdemos tudo. Tudo se transformou em destroços e cinzas. Mas tenho fé em Deus que vamos reconstruir. Estamos começando do zero, mas vamos ter nosso cantinho de novo - relata o morador, emocionado.
Apesar de toda a dor de ver o trabalho de uma vida desaparecer em minutos, o caminhoneiro aposentado não perde a esperança e agradece o apoio que já vem recebendo de amigos e familiares.
- Agora a gente conta com a ajuda de amigos, familiares porque estamos recomeçando do zero - diz.
Ele lembra ainda de toda uma vida dedicada ao trabalho nas estradas, profissão que, mesmo aos 73 anos, ainda não abandonou.
- Agora, eu viajo só aqui no Estado. Mas não paro, sigo na luta. Com fé em Deus, a gente sempre se reconstrói - garante.
Atualmente, o casal está morando temporariamente na casa de um dos filhos, que também reside em Agudo. Eles têm também uma filha que mora há 10 anos em Belo Horizonte (MG), e que acompanha de longe a reconstrução da vida dos pais.
Desde que o caso começou a ser divulgado, o casal já recebeu doações de roupas e alguns móveis, mas ainda segue precisando de apoio para repor o que foi perdido e voltar a ter uma casa para chamar de sua.
Como ajudar
Quem quiser contribuir com a reconstrução da vida de Dilmar e Rosane Unfer pode fazer doações de qualquer valor por meio da chave Pix: 254.910.910-49, em nome de Dilmar Unfer.